Espetacular mundo mostrado em uma tela

 Sempre é um evento ver um ser jogado no chão, cheio de sangue, agonizando pela vida. Há câmeras filmando por todos os lados e o que fazer? Todo mundo fica perto, um círculo se forma, tão rápido que nem tem ar mais para esse ser.

Preciso parar de olhar, o sangue é tanto que ja desvia dos pés dos populares. Nem nos meus sonhos poderia imaginar que isso poderia estar acontecendo, ali, na minha frente.

A alegria é de que aquele evento não terminasse, mas pra mim, tinha que acabar logo, afinal, sou eu no chão, pedindo pra ir embora dali. 

Estão felizes? Postem! Curtam, compartilhe mais uma dor, nunca a de vocês, hoje é a minha desgraça. Que viralize de uma forma que durará segundos preciosos.

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Caixão

 Quase que me enrolo em atitudes, mas essa parada é uma questão de vida, não entende quem não tem visão, não acredita então veja essa vista.

Eu não sei de onde tudo isso veio, a melhor forma de escrever talvez seja matando o que quer me matar. Seja como for, o barulho é estrondoso, é dessa vista que ninguém acredita.

Sumi como o frio, falei que não dava pra me alcançar, mas a verdade é que ja perdi essa luta faz tempo.  A corrida foi dentro da cabeça, e foi a melhor forma de perder o fôlego e desistir.

Só queria sobreviver hoje, mas adivinha? Nada mudou nestes ultimos seis anos, todos se revoltam mas ninguém se mexe. Todos falam mas ninguém se envolve. Todas as atitudes tomadas e essa vista que vejo, na verdade é meu funeral. E nele, não há ninguém. 

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M e M

 Será que se eu fizer uma música eu vou poder falar tudo que eu quero sem nenhum tipo de interferência? 

A liberdade de dizer tudo é a mesma que o passarinho tem de voar em uma gaiola. Eu sempre falo para não confiar em ninguém, dentro de uma conferência, dentro de casa, não tem como.

Será que minhas letras, linhas de pensamentos, sobre a realidade, sobre a forma maluca que digo tudo, cuspo na sua cara para não ter que atirar em ninguém, faz efeito? 

Um pedaço de verdade, uma pessoa que sequestra o maior amor meu, merece morrer? Sim

Mas a verdade mesmo que quando vier a tona serei o diabo, o maldito que por várias vezes perde a cabeça. O importante é dizer isso, o quanto descontrolado você é.

Melhor me matar, porque um dia vou atrás, a justiça fará com que minhas mãos se mexam. Será que é a melhor metáfora? Claro que é.

Escrever me liberta onde um dia a cadeia me prendeu. Um livro, uma música ou seja lá como chama, não me interessa, 

Um carro, pedaços, fitas adesivas e minha criança caminhando comigo na praia, e você no porta mala.


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O homem que não chora mais

 Não há rimas, não é um poema, não consigo nem imaginar eu voltando a escrever sobre algo, sobre mim.

Tudo isso está acabando comigo aos poucos, nas ruas cospem em mim por eu não saber mais me comportar. Não ligo, até o segundo quarteirão. Pague o advogado, faça acordo com a corte toda.

As vezes eu fico incomodado com toda essa besteiras, todas as polêmicas relacionadas ao meu nome. Tudo é lixo, me atacam de todos os lados e nem sei mais a dor, queima, mas todos estão acostumados.

Estou cansado, queria falar que quero mais uma dose, mas cansei até disso, mando todos se foderem, mas quem mais se fode sou eu. Então faça um acordo com o diabo, abrace, beije, só me deixe sozinho.

Falei em não deixar, não sair, mas não planejei em ser sacado, expulso, expurgado, o grito já não ecoa e as lágrimas não existem mais, em mim.

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Nada de voar por dias

 Meu espaço foi violado, como você sempre disse que iria acontecer. Girando como se eu tivesse tomado doze copos de cachaça.

Eu sempre falava com o medo, eu sempre tive a língua afiada para toda conversa fiada. Hoje não será apenas uma história, hoje será um acontecimento onde mudará tudo.

Arma na cara, chute na costela, algemas de ratos disfarçados, sempre eles fazendo tudo escurecer, quebrar, torturar. Uma cela cheirando a mijo e nada pode-se fazer.

Meu espaço se apequenou, minhas falas se calaram, fiquei sem ar, fiquei sem a liberdade de querer acabar com você, hoje você que acabou comigo, ok vou reverter.

Cadeados fechados, cárcere pronto para me receber, e o que eu estava pensando? Em tomar todas as pílulas possíveis, mas nem isso eu tinha. Agora eu já não tenho mais nada. Nem quem eu mais amo.

Cadeia acabando com a minha alma, entre grades penso como vou eliminar, os pensamentos, você, o amanhecer.

Por hoje não tem boa noite, por agora não há mais nada, até porque o bonde chegou.

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Fotos do amanhã

 Foi um desafio falar sobre esse ano, a fita é falar sobre uma guerra interna, uma guerra que não há como definir. São livros explicando e eu tentando entender como funciona esse negócio chamada vida. Falhei.

Milagres, eles dizem, foi tudo feito como milagres, todos os méritos foram feitos por alguém sobrenatural. Não entendo, não aceito. Minha boca seca, torto arado me fala para eu refletir melhor sobre meu cotidiano, bebo e esqueço. Piso em cacos de vidros, queria que fosse ovos, como em outrora. 

Foi uma busca longa para tentar acreditar em algo que nunca vi, em algo que nunca passou perto de mim. Não queria ficar sozinho, sempre busquei uma bengala, caí. Falhei mais uma vez mesmo gostando do batuque, não encontrei o final do tom do tambor.

Me fere, sinto o gosto de sangue, e permaneço sozinho, lutando contra o pensamento de acabar com tudo. Juro que gostaria de escrever coisas mais leves, mais feliz, sobre flores, mas nem flores eu quero sob o que eu penso que vai acontecer no final de um texto e de um ponto final. Definitivo será, não sei quando.

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O pior final

 Preciso entender que milagres não existem, preciso entender que a tempestade não se vai mudar a direção, nem ela, nem eu. Odiar as vezes é necessário para ter sede e continuar o torto arado, renascer eu não sei, não sei como se faz. Não sei como eles fazem parecer tão fácil, não consigo.

Meus traumas não são compreendidos, as conversas não são interpretadas como eu digo, difícil dizer mais do que isso. Quero e fazer entender, quero melhorar, simplesmente não consigo. A arrogância não se faz parte, por mais que esteja impregnada em mim, mas sem sono, em algumas semanas já não consigo respirar.

O que tem na sua frente? O infinito é feito de memorias, mas quais? As que queremos. Selecionadas, amadas e eu sozinho no meu quarto. Ainda luto por um mundo que minha história eu saio vivo. Nunca vi esse final.

Desisti dos deuses, desisti de mim, porque o nós nunca existiu.

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