sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Êxodo

 Em tudo que olho, o olho estremece, porque ainda olho? Gritar não adianta mais já que sempre acordo.

Toda expectativa que você coloca em mim me mata a cada minuto. Falar nao adianta mais já que sempre pisco.

Atordoado de tanto problema, a dor da vida que ninguém nunca me falou o tamanho que era. E nem adianta falar que cada um com seus problemas, ja que quando olho, o meu assusta até o diabo.

E a tempestade volta, com tudo, destruindo tudo, assim como eu, não deixo nada de pé, acabo com tudo e não adianta fugir, eu sempre vou voltar pra olhar, falar, te apresentar a dor e voltar ao mar.

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sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Forças

 Força em levantar todos os dias, a força que me falaram que eu tenho depois de passar tudo o que eu passei. Ou uma força pra levantar uma pedra eterna que vive sob minhas costas?

Hoje a corda esta mais longa, mas me impede ainda em desejar estica-la. Dai-me forças para não desistir. Mas pedir isso pra quem? 

São sonhos reais, são pensamentos irreais que acordo em perceber que as vezes nada deu certo. Ligo pra ti e vejo que foi a coisa mais acertada que fiz, você.  E preciso acreditar que vou conseguir e te lendo agora, me deu uma certa força, por hora.

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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Dois, seis e dezenove

 Eu não sei como te pedir por desistir dessa forma. Um beijo para nos despedirmos? É pedir muito? 

Ficamos Unidos pela alma, um aquecendo, outro esfriando, um vice e versa. Versões diferentes da mesma pessoa. 

O dia que renasci pra mim mesmo foi o mesmo dia que morri para muita gente. Em uma linha reta vi o final da nossa música. A gritaria me faz refletir o quanto é tão simples o desapego de terra.

Em terra eu não sei como posso renegar a natureza de respirar, mas preciso apagar essa imagem que criaram. Deixei por muito tempo a visão fosca. E nem quero mais essa visão.

Me perdoe, juro que não é sobre desistir, é sobre não aguentar mais. A solidão mata aos poucos, então pense que não fui eu, nunca fui eu quem quis. E sozinho te entrego meu beijo, desde sempre, para sempre.

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sábado, 15 de agosto de 2026

A voz que vem de mim

 Ecos de uma sala sem nada. O destino de uma gota d'água que escorre até a parede, aquela parede onde não tem nada.

Separado de tudo, disse que um dia o silêncio era natural, que eu iria acostumar. Hoje me tiraram tudo, em minhas mãos eu não consigo acreditar que até mesmo o que eu não tinha perdi.

Uma vez falei que sempre ímpar e nunca par, mas eu nem quero mais ficar sozinho aqui. Mal sabiam eles que o futuro seria tão sombrio onde não há uma mão, para estender, para de levantar. Espancar sim, serve.

Olha bem onde pisa, cada chão diz exatamente para onde queremos ir. Local que voce quer estar? Alguns sim, hoje eu queria só alguém pra me escutar, alguém pra me fazer companhia e dizer que que me ama e não mais meu eu, meu eco.

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sexta-feira, 31 de julho de 2026

Deitado

 Esperando o teto me responder. Barricadas de esperança. Sou feito da brisa do mar, e mesmo tendo ele perto, não quero o ver. Não por mim, por conta do teto.

As balas que passaram por mim e não me atingiram, fingiram que queriam me perfurar, mentiram, sou feito de areia, nada pode me ferir, ao mesmo tempo, esfarelo nas suas mãos.

Se esse mar não fosse calmo, eu já seria seu rodamoinho, a fúria em forma de espuma da morte, mas o teto afirma que não devo sair dali.

Tudo bem, aceitei que sou pior que o mal que causa a bílis em você. Mas olhando para esse teto, percebo o sono vindo, porque como dizia minha vó: é só ficar quieto, que o sono vem. 

Eu só não consigo dormir nunca.

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sábado, 18 de julho de 2026

Por quem?

 Olhando para todos os lados e a vontade de chorar toma conta de mim. Todos os dias os mesmos cenários, se chover, se fizer sol nada vai mudar pra mim. Já tentei colocar um objetivo, ja tentei culpar alguém pela minha insistência em viver, mas não é assim.

Tem dias que até estou bem, lembrando o que é respirar, hoje por exemplo eu só queria esquecer como é acordar.

Toca o interfone e já fico atento, vejo os holofotes e tenho a certeza em que aquele chute vai vir, mais forte dessa vez. Mas vejo que a maior dor vem de longe.

E olhando para a janela, em todos os lados há movimentos, menos pra mim, vai ver é destino, pesadelo ou só um dia. Infelizmente, não acredito em nada disso.

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sexta-feira, 22 de maio de 2026

Espetacular mundo mostrado em uma tela

 Sempre é um evento ver um ser jogado no chão, cheio de sangue, agonizando pela vida. Há câmeras filmando por todos os lados e o que fazer? Todo mundo fica perto, um círculo se forma, tão rápido que nem tem ar mais para esse ser.

Preciso parar de olhar, o sangue é tanto que ja desvia dos pés dos populares. Nem nos meus sonhos poderia imaginar que isso poderia estar acontecendo, ali, na minha frente.

A alegria é de que aquele evento não terminasse, mas pra mim, tinha que acabar logo, afinal, sou eu no chão, pedindo pra ir embora dali. 

Estão felizes? Postem! Curtam, compartilhe mais uma dor, nunca a de vocês, hoje é a minha desgraça. Que viralize de uma forma que durará segundos preciosos.

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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Caixão

 Quase que me enrolo em atitudes, mas essa parada é uma questão de vida, não entende quem não tem visão, não acredita então veja essa vista.

Eu não sei de onde tudo isso veio, a melhor forma de escrever talvez seja matando o que quer me matar. Seja como for, o barulho é estrondoso, é dessa vista que ninguém acredita.

Sumi como o frio, falei que não dava pra me alcançar, mas a verdade é que ja perdi essa luta faz tempo.  A corrida foi dentro da cabeça, e foi a melhor forma de perder o fôlego e desistir.

Só queria sobreviver hoje, mas adivinha? Nada mudou nestes ultimos seis anos, todos se revoltam mas ninguém se mexe. Todos falam mas ninguém se envolve. Todas as atitudes tomadas e essa vista que vejo, na verdade é meu funeral. E nele, não há ninguém. 

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sexta-feira, 13 de março de 2026

M e M

 Será que se eu fizer uma música eu vou poder falar tudo que eu quero sem nenhum tipo de interferência? 

A liberdade de dizer tudo é a mesma que o passarinho tem de voar em uma gaiola. Eu sempre falo para não confiar em ninguém, dentro de uma conferência, dentro de casa, não tem como.

Será que minhas letras, linhas de pensamentos, sobre a realidade, sobre a forma maluca que digo tudo, cuspo na sua cara para não ter que atirar em ninguém, faz efeito? 

Um pedaço de verdade, uma pessoa que sequestra o maior amor meu, merece morrer? Sim

Mas a verdade mesmo que quando vier a tona serei o diabo, o maldito que por várias vezes perde a cabeça. O importante é dizer isso, o quanto descontrolado você é.

Melhor me matar, porque um dia vou atrás, a justiça fará com que minhas mãos se mexam. Será que é a melhor metáfora? Claro que é.

Escrever me liberta onde um dia a cadeia me prendeu. Um livro, uma música ou seja lá como chama, não me interessa, 

Um carro, pedaços, fitas adesivas e minha criança caminhando comigo na praia, e você no porta mala.


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sábado, 21 de fevereiro de 2026

O homem que não chora mais

 Não há rimas, não é um poema, não consigo nem imaginar eu voltando a escrever sobre algo, sobre mim.

Tudo isso está acabando comigo aos poucos, nas ruas cospem em mim por eu não saber mais me comportar. Não ligo, até o segundo quarteirão. Pague o advogado, faça acordo com a corte toda.

As vezes eu fico incomodado com toda essa besteiras, todas as polêmicas relacionadas ao meu nome. Tudo é lixo, me atacam de todos os lados e nem sei mais a dor, queima, mas todos estão acostumados.

Estou cansado, queria falar que quero mais uma dose, mas cansei até disso, mando todos se foderem, mas quem mais se fode sou eu. Então faça um acordo com o diabo, abrace, beije, só me deixe sozinho.

Falei em não deixar, não sair, mas não planejei em ser sacado, expulso, expurgado, o grito já não ecoa e as lágrimas não existem mais, em mim.

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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Nada de voar por dias

 Meu espaço foi violado, como você sempre disse que iria acontecer. Girando como se eu tivesse tomado doze copos de cachaça.

Eu sempre falava com o medo, eu sempre tive a língua afiada para toda conversa fiada. Hoje não será apenas uma história, hoje será um acontecimento onde mudará tudo.

Arma na cara, chute na costela, algemas de ratos disfarçados, sempre eles fazendo tudo escurecer, quebrar, torturar. Uma cela cheirando a mijo e nada pode-se fazer.

Meu espaço se apequenou, minhas falas se calaram, fiquei sem ar, fiquei sem a liberdade de querer acabar com você, hoje você que acabou comigo, ok vou reverter.

Cadeados fechados, cárcere pronto para me receber, e o que eu estava pensando? Em tomar todas as pílulas possíveis, mas nem isso eu tinha. Agora eu já não tenho mais nada. Nem quem eu mais amo.

Cadeia acabando com a minha alma, entre grades penso como vou eliminar, os pensamentos, você, o amanhecer.

Por hoje não tem boa noite, por agora não há mais nada, até porque o bonde chegou.

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