O homem que não chora mais

 Não há rimas, não é um poema, não consigo nem imaginar eu voltando a escrever sobre algo, sobre mim.

Tudo isso está acabando comigo aos poucos, nas ruas cospem em mim por eu não saber mais me comportar. Não ligo, até o segundo quarteirão. Pague o advogado, faça acordo com a corte toda.

As vezes eu fico incomodado com toda essa besteiras, todas as polêmicas relacionadas ao meu nome. Tudo é lixo, me atacam de todos os lados e nem sei mais a dor, queima, mas todos estão acostumados.

Estou cansado, queria falar que quero mais uma dose, mas cansei até disso, mando todos se foderem, mas quem mais se fode sou eu. Então faça um acordo com o diabo, abrace, beije, só me deixe sozinho.

Falei em não deixar, não sair, mas não planejei em ser sacado, expulso, expurgado, o grito já não ecoa e as lágrimas não existem mais, em mim.

Read More

Nada de voar por dias

 Meu espaço foi violado, como você sempre disse que iria acontecer. Girando como se eu tivesse tomado doze copos de cachaça.

Eu sempre falava com o medo, eu sempre tive a língua afiada para toda conversa fiada. Hoje não será apenas uma história, hoje será um acontecimento onde mudará tudo.

Arma na cara, chute na costela, algemas de ratos disfarçados, sempre eles fazendo tudo escurecer, quebrar, torturar. Uma cela cheirando a mijo e nada pode-se fazer.

Meu espaço se apequenou, minhas falas se calaram, fiquei sem ar, fiquei sem a liberdade de querer acabar com você, hoje você que acabou comigo, ok vou reverter.

Cadeados fechados, cárcere pronto para me receber, e o que eu estava pensando? Em tomar todas as pílulas possíveis, mas nem isso eu tinha. Agora eu já não tenho mais nada. Nem quem eu mais amo.

Cadeia acabando com a minha alma, entre grades penso como vou eliminar, os pensamentos, você, o amanhecer.

Por hoje não tem boa noite, por agora não há mais nada, até porque o bonde chegou.

Leia Mais

Fotos do amanhã

 Foi um desafio falar sobre esse ano, a fita é falar sobre uma guerra interna, uma guerra que não há como definir. São livros explicando e eu tentando entender como funciona esse negócio chamada vida. Falhei.

Milagres, eles dizem, foi tudo feito como milagres, todos os méritos foram feitos por alguém sobrenatural. Não entendo, não aceito. Minha boca seca, torto arado me fala para eu refletir melhor sobre meu cotidiano, bebo e esqueço. Piso em cacos de vidros, queria que fosse ovos, como em outrora. 

Foi uma busca longa para tentar acreditar em algo que nunca vi, em algo que nunca passou perto de mim. Não queria ficar sozinho, sempre busquei uma bengala, caí. Falhei mais uma vez mesmo gostando do batuque, não encontrei o final do tom do tambor.

Me fere, sinto o gosto de sangue, e permaneço sozinho, lutando contra o pensamento de acabar com tudo. Juro que gostaria de escrever coisas mais leves, mais feliz, sobre flores, mas nem flores eu quero sob o que eu penso que vai acontecer no final de um texto e de um ponto final. Definitivo será, não sei quando.

Leia Mais

O pior final

 Preciso entender que milagres não existem, preciso entender que a tempestade não se vai mudar a direção, nem ela, nem eu. Odiar as vezes é necessário para ter sede e continuar o torto arado, renascer eu não sei, não sei como se faz. Não sei como eles fazem parecer tão fácil, não consigo.

Meus traumas não são compreendidos, as conversas não são interpretadas como eu digo, difícil dizer mais do que isso. Quero e fazer entender, quero melhorar, simplesmente não consigo. A arrogância não se faz parte, por mais que esteja impregnada em mim, mas sem sono, em algumas semanas já não consigo respirar.

O que tem na sua frente? O infinito é feito de memorias, mas quais? As que queremos. Selecionadas, amadas e eu sozinho no meu quarto. Ainda luto por um mundo que minha história eu saio vivo. Nunca vi esse final.

Desisti dos deuses, desisti de mim, porque o nós nunca existiu.

Leia Mais

Falar com espelho

 Um lugar ao sol para caminhar nesse tempo maluco onde de repente fica tudo tão frio. . Desde pequeno procuro uma imagem, um espelho. Um lugar para quem sabe fazer tudo ficar mais fácil.

Bebo outro gole tentando achar palavras para descrever esse dever que nem sei quem me deu. A imortalidade contra a morte certa, a morte que quero pra mim. Procuro acabar com tudo, mas o espelho me diz não, e eu nem sei explicar.

São estradas que aprendi a andar sozinho, não me peça para explicar, não sei. Fui obrigado a querer seguir em frente. Me fiz procurar uma semelhança nesse espelho, mas mal me enxergava. 

Pareço estar sorrindo, mas quero gritar. Como uma necessidade a cada ano, renascer? Não sei avisar como se faz necessário sumir. O copo segue cheio, sempre né?! A pena de morte que me auto decretei está em conflito, não sei mais falar com o espelho, não sei mais onde devo acelerar ou não na estrada, e mal sei onde o sol se põe hoje em dia. Um instante hoje é uma eternidade no ontem, e olha que eu só quero nem saber do ontem.

Leia Mais

Algum dia isso aqui mudou?

Tentei contar por quantos anos o mesmo pensamento vem na minha cabeça. Desisti, visto que ele nunca saiu. São todos os dias tentando mudar, trocar, ir embora, acabar com tudo. 

A dúvida pode até mudar, o contexto, o cenário, mas a ambição de querer sair daqui é a mais forte vontade, então porque não? O medo? As pessoas, as minhas pessoas?

Mudei drasticamente em 10 anos, pessoas partiram, outras agregaram e depois sumiram, e várias me viram sumir, não quero explicar, não quero explicações, eu queria entender a vontade de partir, isso nunca me pareceu algo longínquo. 

A caverna de Platão fode com todas as minhas espectativas, quero sair mas tenho medo, quero ficar mas lá fora é tão melhor. 

Hoje estou bem, amanhã sei que não. E entenda, estou cansado de escutar que vai ficar tudo bem, que vai acabar bem. Onde ficou tudo bem até agora? Ou melhor, pra quem ficou tudo bem? Pra mim não. E sobre acabar? Acabou pra quem pegou dinheiro, carreira, fama, lar, conforto.

Não queria mais escrever, mas sigo aqui, fodido com minhas linhas eternas de acabar com tudo, desde meu copo, até minha vida e juro, hoje espero que meu copo fique pela metade, e minha vida não;  

Leia Mais

Hoje

O que é viver? Respirar oxigenio, planos de todos os aspectos, querer e fazer acontecer. Olho pra trás e vejo que vivi bons momentos, hoje não, hoje não mesmo.

 Eu estou sobrevivendo, todos os dias nos últimos cinco anos. Perder tudo, perder o que achava que não era tão importante. Hoje entendo que o mínimo é importante pra quem não tem nada.

As coisas podem piorar? Sempre podem, mas pra quem já está no fundo do poço, não enxerga onde as coisas podem ir. Nem pra baixo, nem pra cima.

Já vivi com o copo sempre cheio, já vivi perto dos mortos, falando com eles, sentido eles, querendo estar com eles. Hoje já não sei, basta um vento, basta o mínimo para me derrubar. E quando isso acontecer, acabou.

Eu já andei com vermes, humanos que não considero, hoje vejo vermes viscoços, vejo onde eles moram e pra onde vou morar. Entenda, hoje eu não estou ansioso para essa nova etapa, mas sei que será inevitável.

Por vezes eu quis, por vezes eu já planejei, hoje eu vejo, hoje é uma realidade cada vez mais próxima. Perder mais o que? 

Leia Mais