sexta-feira, 31 de julho de 2026

Deitado

 Esperando o teto me responder. Barricadas de esperança. Sou feito da brisa do mar, e mesmo tendo ele perto, não quero o ver. Não por mim, por conta do teto.

As balas que passaram por mim e não me atingiram, fingiram que queriam me perfurar, mentiram, sou feito de areia, nada pode me ferir, ao mesmo tempo, esfarelo nas suas mãos.

Se esse mar não fosse calmo, eu já seria seu rodamoinho, a fúria em forma de espuma da morte, mas o teto afirma que não devo sair dali.

Tudo bem, aceitei que sou pior que o mal que causa a bílis em você. Mas olhando para esse teto, percebo o sono vindo, porque como dizia minha vó: é só ficar quieto, que o sono vem. 

Eu só não consigo dormir nunca.

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